Agente Superavitário e Agente Deficitário

Olá Investidor! Olá Investidora!

Nesse artigo nós vamos falar sobre Agente Superavitário e Agente Deficitário.

Bom, antes de tentarmos entender como funcionam os mercados financeiros, é importante entendermos como o dinheiro flui através do sistema financeiro, e para isso é essencial entendermos quem são os principais agentes econômicos que fazem esse dinheiro fluir.

Os principais agentes econômicos do sistema financeiro de um país são: as famílias, as empresas, os governos e os investidores estrangeiros, que nada mais são do que as famílias, as empresas e os governos de outros países. Esses agentes econômicos podem ser divididos em 2 grupos, de acordo com o uso que fazem do dinheiro: o dos agentes superavitários e o dos agentes deficitários. Os agentes superavitários são aqueles que gastam menos dinheiro do que recebem. São instituições, ou pessoas como eu e você que, por conseguirem poupar dinheiro, possuem capital excedente, que decidem guardar para o futuro ao invés de gastá-lo no presente. São, portanto, os poupadores e os investidores. Muitas vezes, chamamos os agentes superavitários, também, de credores, já que eles emprestam dinheiro para os devedores.

Já os agentes deficitários são aqueles que tem as suas despesas maiores do que as suas receitas. Eles são os devedores, que precisam pegar dinheiro emprestado dos agentes superavitários. Um dos agentes deficitários mais comuns, na maioria dos países, são os próprios governos, em qualquer nível que seja: municipal, estadual ou federal. Isso porque, de forma geral, é muito fácil gastar dinheiro que não é seu, e que você não fez esforço nenhum para ganhar, não é verdade? Afinal, o único esforço que os governos fazem para ganhar dinheiro é o de criar impostos e de continuar aumentando esses impostos ao longo do tempo. Mas enfim, estou saindo pela tangente aqui, vamos voltar ao nosso assunto.

Mas como esse dinheiro flui dos agentes superavitários para os agentes deficitários? E como esses agentes superavitários descobrem quem são os agentes deficitários e de quanto dinheiro eles precisam? E como eles negociam essas transações? Bom, na grande maioria das vezes, essa conexão entre os agentes superavitários e deficitários é feita através dos intermediários financeiros. E é por isso que eles são chamados de intermediários financeiros: porque os produtos e serviços que eles oferecem, ajudam a conectar os agentes superavitários aos agentes deficitários. Eles fazem, portanto, a intermediação desse fluxo de dinheiro. Esses intermediários financeiros podem ser bancos, corretoras, Credit Unions, entre tantos outros tipos de instituições.

E esse fluxo de dinheiro, dos agentes superavitários para os agentes deficitários, passando pelos intermediários financeiros, só funciona porque todos esses participantes se beneficiam de alguma forma desse sistema. Os agentes superavitários se beneficiam porque, ao depositarem o seu dinheiro em um banco, ou ao investirem seu dinheiro em algum produto de investimento, isso é, ao disponibilizarem seus recursos excedentes, eles recebem alguma remuneração em troca. Essa remuneração tem que ser paga aos investidores e poupadores, porque eles estão deixando de utilizar o dinheiro no presente em troca de utilizá-lo no futuro. Como o dinheiro no presente, vale mais do que o dinheiro no futuro, eles precisam ser compensados por não utilizarem esse dinheiro no presente e também pela perda do poder de compra desse dinheiro ao longo do tempo. Além disso, esses agentes superavitários também se beneficiam dos produtos e serviços oferecidos pelos intermediários financeiros, já que são eles que têm o trabalho de

encontrar os agentes deficitários, de verificar as necessidades de dinheiro desses agentes, e de gerenciar todo o processo de movimentação desses recursos de um agente para o outro.

Já os intermediários financeiros, se beneficiam porque eles utilizam recursos que eles mesmos não possuem, isto é, recursos que foram disponibilizados pelos agentes superavitários, e emprestam esses recursos para os agentes deficitários em troca de parte do pagamento dos juros sobre o valor emprestado, por parte do agente deficitário, e das taxas que eles cobram por esses serviços.

E, por sua vez, os agentes deficitários se beneficiam porque eles podem utilizar, no presente, recursos que não possuem ou que demorariam muito tempo para conseguirem economizar. Por exemplo: uma pessoa decide comprar uma casa. Ela pode decidir passar anos ou até décadas, poupando dinheiro, e só comprar a casa quando tiver poupado o valor total da compra, ou pode poupar somente uma parte dos recursos necessários e acelerar a compra dessa casa com a utilização de um empréstimo. Isso é, com a utilização do dinheiro que foi disponibilizado para ela pelos agentes superavitários, através dos intermediários financeiros. Essa pessoa vai, então, utilizar dinheiro que ela vai ganhar somente no futuro, para pagar pelo dinheiro que foi disponibilizado para ela no presente. Como se o empréstimo fosse um adiantamento dos salários que ela vai receber no futuro.

Outra forma de entendermos esse fluxo de dinheiro pelo Sistema Financeiro, é imaginarmos essa transferência de dinheiro dos Agentes Superavitários, para os Agentes Deficitários como uma movimentação do dinheiro através do tempo. Vamos ver o exemplo do Américo. O Américo é um cara controlado, que mantém o seu Fluxo de Caixa atualizado, todo ano ele calcula o seu Patrimônio Líquido, faz a análise horizontal e vertical desses demonstrativos, calcula os seus índices financeiros, etc. Disciplinado! No final das contas, com trocadilho, o Américo sempre consegue gastar menos do que ganha, e consegue poupar bastante.

Esse mês, o Américo conseguiu poupar 1000 dólares, e quer investir esse dinheiro para utilizá-lo somente daqui a 10 anos. Isso quer dizer, ele quer mandar esse dinheiro 10 anos para o futuro. Ao mesmo tempo, uma empresa americana, fundada por brasileiros, a Brazuca (BRZK), que está querendo se expandir e abrir novas lojas, decide emitir títulos de dívida para financiar essa expansão, já que, no momento, ela não tem dinheiro suficiente em caixa para financiar essa expansão sem pegar dinheiro emprestado. Ela decide, então, emitir milhares de títulos de dívida, de 1000 dólares cada um, com prazo de vencimento de 10 anos. Olha que coincidência. Cada um desses títulos paga juros de 5% por ano, com pagamentos semestrais. O Américo, então, através da sua corretora, decide adquirir 1 título de 1000 dólares da Brazuca. A corretora do Américo vai pegar esse dinheiro, que o Américo tem interesse em mandar para 10 anos no futuro, e trazer esse dinheiro de volta para o presente, ao comprar o título de dívida da Brazuca, que tem interesse em trazer esse dinheiro do futuro para o presente, para abrir novas filiais. Com esse investimento em novas filiais, a Brazuca planeja crescer e utilizar os lucros dessas novas filiais, para pagar os juros desse empréstimo, além de devolver o valor emprestado pelo Américo ao final do prazo de 10 anos.

O tempo então vai passando, a Brazuca vai fazendo pagamentos semestrais de 25 dólares para o Américo (né, 5% ao ano, semestralmente, 2.5% por semestre, 25 dólares). Ao final dos 10 anos, na data de vencimento do título, a Brazuca vai fazer o último pagamento de juros para o Américo, além de devolver o capital investido, chamado de principal, que são os 1000 dólares. No final das contas, com trocadilho, o Américo mandou os 1000 dólares dele 10 anos para o futuro, recebendo em troca 500 dólares de juros ao longo desses 10 anos, ficando, no final, com 1500 dólares menos os custos que a

corretora cobrou dele, é claro. Isso considerando que ele não reinvestiu esses juros que ele foi recebendo ao longo do tempo. Ao final dessa transação, o Américo conseguiu o rendimento que queria ao transferir o dinheiro dele para o futuro, a corretora teve o lucro dela, com as taxas que cobrou do Américo, e a Brazuca conseguiu abrir novas filiais e aumentar as suas receitas. Todos se beneficiaram.

Bom, para finalizar, é importante entendermos que, na maioria dos casos, os agentes econômicos são ao mesmo tempo credores e devedores. Isso mesmo. Por exemplo, uma pessoa pode ter dinheiro em contas de poupança e em produtos de investimento e ao mesmo tempo estar pagando um financiamento imobiliário (Mortgage) ou um empréstimo estudantil. O mesmo acontece com empresas e com governos. Então, na prática, o fluxo de dinheiro pelo sistema financeiro pode ser bem mais complexo do que na teoria que foi apresentada aqui.

Mas o importante é que você termine esse artigo conhecendo quem são os agentes econômicos de um sistema financeiro, isso é, as famílias, as empresas, os governos e os investidores estrangeiros, sabendo que eles podem ser classificados entre agentes superavitários e agentes deficitários, e entendendo como o dinheiro flui de um agente para o outro através dos intermediários financeiros.

E aí, conseguiu entender como o dinheiro flui pelo sistema financeiro?

 

Nos vemos no próximo artigo.

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