Olá Investidor! Olá Investidora!
Nesse artigo nós vamos falar sobre Contratos financeiros em geral, e mais especificamente sobre opções, futuros, forwards e Swaps.
O objetivo desse artigo é que você tenha um entendimento básico sobre alguns dos principais ativos que são negociados nos mercados financeiros.
Bom, vamos começar falando sobre contratos, em geral. Um contrato é um acordo entre 2 participantes do mercado, que requer alguma ação futura dessas 2 partes, como por exemplo, a troca de um ativo financeiro por dinheiro. A grande maioria desses contratos são baseados no preço de outro ativo, que é chamado aqui nos Estados Unidos de underlying asset, que no Brasil é chamado de ativo subjacente ou ativo-base. Mas aqui na InvistAmerica a gente vai chamar de underlying asset mesmo, ou muitas vezes só de underlying.
Bom, se esses contratos têm como base o preço de outro ativo e se a sua própria existência deriva da existência de outro ativo, isso significa que esses contratos são classificados como derivativos. O underlying desses contratos, isto é, o ativo do qual esses contratos derivam, pode ser, por exemplo, uma ação de uma empresa, ou um índice, uma commodity, etc.
Diferente das ações e dos títulos de dívida, que são emitidos pelos chamados Issuers, que podem ser empresas, ou governos, e são vendidos inicialmente nos mercados primários, os derivativos são criados, em sua vasta maioria, pelos próprios participantes do mercado secundário. Quem emite um derivativo é normalmente chamado de seller, ou no caso mais específico das opções, de writer.
A liquidação desses contratos, que é chamada de settlement, pode ser física ou em dinheiro. Quando a liquidação é feita em dinheiro ela é chamada de cash settlement. A liquidação física, pode ser a entrega física de uma commodity, como petróleo ou milho, por exemplo, mas também pode ser a entrega de uma ação ou de um título de dívida, mesmo que essa entrega seja feita de forma eletrônica. Essa entrega eletrônica também é considerada uma liquidação física.
Já no caso do cash settlement, como o próprio nome diz, a liquidação é feita em dinheiro. Por exemplo, a liquidação de uma opção, que é um tipo de contrato que vamos mencionar mais à frente nesse artigo, do VIX, que é o índice de volatilidade, é liquidada em dinheiro. Por quê? Porque o VIX, é um índice, ele não é um veículo de investimento. Você não consegue comprar ou vender o VIX diretamente e, portanto, não consegue entregar o VIX para ninguém. Então a liquidação tem que ser feita em dinheiro.
Uma das grandes vantagens desses contratos para os investidores, é que eles permitem o hedging de portfólio, isso é, a proteção do portfólio de investidor. Mas eles também possuem outras vantagens. Eles permitam ao investidor, também, diversificar os riscos a que está exposto, ou simplesmente especular no mercado, visando lucros. Uma outra característica muito importante da maioria dos contratos é que eles já trazem embutidos neles a alavancagem.Isso é, com uma pequena quantidade de capital, você consegue controlar uma grande quantidade de ativos. Por exemplo, ao comprar uma opção de uma ação, você passa a controlar 100 ações daquela empresa, sendo que, para isso, você só precisou desembolsar o prêmio da
opção, que é uma pequena fração do preço total que você pagaria, se realmente comprasse as 100 ações daquela empresa.
Mas essa alavancagem é uma faca de 2 gumes, já que ela aumenta tanto os possíveis ganhos do investidor, quanto as possíveis perdas. Contratos, especialmente futuros e opções, podem ser extremamente voláteis e bastante complexos. Por esse motivo, eles costumam ser muito mais arriscados e normalmente não são adequados para a maioria dos investidores de varejo, como eu e você, já que as perdas podem ser muito maiores do que o valor investido inicialmente, em alguns casos até maior do que toda a sua carteira de investimentos.
Nesse ponto eu vou abrir um parêntesis e adicionar um comentário pessoal. Inúmeras vezes, mais vezes o que eu gostaria de lembrar, quando uma pessoa descobre que eu sou um stock trader, isso é que o meu trabalho é negociar ações na bolsa de valores, a pessoa se anima toda e fala: “Ah é, eu também faço trading, só que eu opero opções!” Geralmente, a minha resposta é algo como: “Ah, que legal, então você operava ações antes, e agora opera opções, por causa da possibilidade de lucros maiores?” 99 % das vezes a pessoa responde: “não, não, eu comecei direto com opções!” Aí eu dou aquela arrepiada, junto todas as minhas forças para não julgar a pessoa, já que ela pode, no final das contas, ser um investidor extremamente talentoso, quem sou eu para julgar, e tento continuar a conversa da forma mais natural possível.
Mas o que vem na minha cabeça nesse momento é: cara, essa pessoa não tem experiência nenhuma de comprar e vender ações. Talvez nunca tenha comprado, ou vendido, uma ação na vida dela. Isso é, provavelmente mal entende, e não tem experiência nenhuma, de operar o ativo que é o underlying da opção que ela está negociando. Mas ainda assim está querendo operar um produto muito mais complexo e volátil do que o underlying, que ela já não entende. É como querer aprender a dirigir em um carro de Fórmula 1, sem cinto de segurança. Como a gente dizia no exército, TTPDM: tem tudo pra dar ruim.
Não estou dizendo que seja impossível, pode até dar certo, tenho certeza de que tem gente que começou direto com opções, sem nunca ter negociado ações, e ganha dinheiro até hoje, talvez até seja milionário. Mas as chances são mínimas. Na minha opinião, antes de operar um contrato, né um derivativo, você tem que ter muito conhecimento e muita experiência operando o underlying daquele contrato. Aí sim você vai estar preparado para operar o derivativo.
Bom, agora que você já conseguiu entender um pouco melhor o que são contratos, suas vantagens e seus riscos, vamos ver com um pouco mais de detalhes alguns desses contratos, como os contratos de opções, futuros, swaps e forwards. Vamos começar pelas Forwards.
Forwards
Um contrato de Forward, é um acordo entre 2 partes para trocar um produto, o underlying asset, em uma data futura, por um determinado preço. Esses contratos são liquidados na data de vencimento, e na grande maioria das vezes ocorre a entrega física do produto. Por exemplo, um fazendeiro de milho faz um contrato de Forward com uma empresa que processa o milho. O fazendeiro concorda em vender, e a empresa concorda em comprar, uma certa quantidade de milho, a um determinado preço, em uma determinada data no futuro. Na data de vencimento, então, o fazendeiro entrega o milho para a empresa.
Esse contrato de Forward é extremamente personalizado. Ele é criado para atender as necessidades específicas das partes do contrato, no nosso caso o fazendeiro de milho e a empresa que processa o milho.
Por causa dessa necessidade de personalização, esse contrato é negociado diretamente entre as partes, e não em bolsas. Essas duas características, a personalização e o fato de não serem negociados em bolsa, fazem com que esses contratos sejam bastante ilíquidos.
Além da pouca liquidez, outro grande risco dos Forwards, é o risco de a uma das partes não cumprir o contrato, já que não existe uma Câmara de Compensação, ou Clearinghouse, como é chamada por aqui, que garanta a execução desses contratos. Essas características dos Forwards, que fazem eles serem ilíquidos e de certa forma mais arriscados, foram um dos motivos para o surgimento dos contratos futuros.
Contratos Futuros
Os contratos futuros são bastante similares aos contratos de Forward, já que eles também são um contrato entre 2 partes, para a troca de um determinado produto, a um determinado valor, em uma determinada data no futuro. Mas eles possuem diferenças que são muito importantes. Os contratos Futuros são padronizados e negociados em bolsas, o que faz com que eles sejam, normalmente, bastante líquidos. O fato de serem negociados em bolsa, também garante que os pagamentos entre as partes serão feitos, então não existe o risco de uma das partes não cumprir o contrato. Essa garantia é dada pelas câmaras de compensação que, na prática, agem como um comprador para o vendedor e como um vendedor para o comprador, caso uma das partes não honre o contrato. Nos contratos futuros, a entrega física do underlying asset raramente ocorre.
Futuros são comumente negociados utilizando, como underlying, produtos agrícolas e outras commodities como metais e petróleo, índices, moedas e outros ativos financeiros. Bom, vamos ver agora as opções.
Opções
Contratos de opções, normalmente chamados somente de opções, são contratos que dão, ao comprador, o direito, mas não o dever, daí o nome opção, de comprar ou vender uma determinada quantidade de um underlying, a um determinado preço, até uma data específica no futuro. Se o comprador da opção realmente realiza essa compra, ou venda, se diz que ele exerceu a opção. Se a opção não é exercida, ela simplesmente expira. Muitas vezes se diz que ela virou pó. O preço que o comprador paga para ter esse direito é chamado de prêmio. As opções são contratos padronizados e são negociadas em bolsas. Nas opções de estilo europeu, você só pode exercer a opção na data de vencimento, já nas opções estilo americano você pode exercer a opção em qualquer momento entre a compra e o vencimento da opção.
Existem 2 tipos de opções: calls e puts. O comprador de uma call, tem o direito de comprar o underlying, do vendedor da opção, a um determinado preço, até uma determinada data. O comprador de uma put, tem o direito de vender o underlying para o vendedor da opção, a um determinado preço até uma determinada data. Isso quer dizer, que o investidor pode estar em 4 posições diferentes em uma opção. Ele pode ser o comprador ou o vendedor de uma call, ou ele pode ser o comprador, ou o vendedor, de uma Put. Mas isso é assunto para outros artigos quando falarmos mais a fundo sobre opções. Bom, e para finalizar, vamos falar dos Swaps.
Swaps
Swaps são um tipo de contrato onde 2 partes entram em um acordo, para trocar pagamentos de fluxos de caixa, baseados em instrumentos financeiros diferentes, em intervalos regulares no futuro. Um dos tipos mais comuns de Swaps é o de taxas de juros. Nesse caso, uma parte concorda em fazer pagamentos regulares à outra, baseados em uma taxa de juros fixa, em troca do recebimento de pagamentos baseados em uma taxa de juros variável.
Esses swaps são liquidados de acordo com a diferença líquida entre essas duas taxas de juros. Qual parte vai ter que pagar, e qual parte vai receber os pagamentos vai depender da diferença líquida entre a taxa de juros fixa e a taxa de juros variável. Como a taxa variável só é definida no futuro, no momento em que esse contrato é firmado, os fluxos de caixa são incertos. Além de taxas de juros, as Swaps também costumam ser utilizadas para negociar câmbio, commodities, ou até mesmo inadimplência de títulos.
Bom, para arrematar, nesse artigo nós vimos o que são contratos, e quais são as suas características gerais, e vimos também, por alto, alguns tipos diferentes de contratos. O objetivo desse artigo é você ter uma visão geral dos contratos. Mais à frente, em outros artigos, nós vamos ver cada um desses contratos com muito mais detalhes.
Conseguiu ter uma noção melhor sobre Opções, Futuros, Forwards e Swaps?
Nos vemos no próximo artigo.