Mercados Primários e Mercados Secundários

Olá Investidor! Olá Investidora!

Nesse artigo nós vamos falar sobre Mercados Primários e Mercados Secundários.

Entender o que são, para que servem, e quais as principais diferenças entre mercados primários e secundários pode ser muito importante para que você consiga entender melhor alguns dos nossos vídeos aqui da InvistAmerica. Isso porque a forma como as securities são negociadas nos mercados primários e secundários pode variar bastante, como no caso das ações e das Bonds. Ou, pode não fazer grande diferença, como no caso de alguns fundos de investimento.

Mas vamos entender melhor o que são os mercados primários e os mercados secundários.

Uma das formas de classificarmos os Mercados Financeiros é dividi-los entre Mercados Primários e Mercados Secundários. A forma como os mercados financeiros são estruturados envolve a emissão de valores mobiliários em um mercado, o mercado primário, e a negociação subsequente desses valores mobiliários em outro mercado, o mercado secundário. Esses dois mercados são críticos para o desenvolvimento da economia de um país. Vamos começar, obviamente, falando dos mercados primários.

Mercados Primários

Um mercado primário é o mercado onde securities são criadas para serem vendidas diretamente aos investidores pela primeira vez. Essas securities são, normalmente, ações ou títulos de dívida. No mercado primário, os investidores são os compradores iniciais dos ativos, o que significa que as ações ou títulos são vendidos a eles no momento de sua introdução no mercado.

Cada security só pode ser vendida no Mercado Primário 1 vez. A partir dessa venda inicial, ela passa a ser negociada no mercado secundário. Portanto, as principais funções do mercado primário são a oferta, a subscrição e a distribuição de novas emissões.

Os mercados primários atuam como fonte de financiamento para governos ou empresas que desejam ter acesso a capital para sua expansão, pelo fato de não possuírem ou gerarem os fundos necessários para essas necessidades. Isto é, o governo, empresas e outras entidades utilizam o mercado primário para captar recursos e financiar seus projetos e seus negócios.

Vamos ver dois exemplos, de forma geral, sem entrar agora nos detalhes do processo de oferta em si. Vamos começar imaginando uma oferta inicial de ações, que ocorre normalmente através de uma Oferta Pública Inicial, ou IPO na sigla em inglês, uma sigla que você já deve ter visto anteriormente. Vamos dizer que uma nova empresa, precisa de dinheiro para executar os seus projetos de expansão e decide que irá abrir o seu capital, isto é, irá emitir ações no mercado primário.

Para fazer o seu IPO, essa empresa vai buscar a ajuda de bancos de investimento para preparar e executar essa emissão de ações para o público no mercado primário. O banco de investimento assumirá o papel de subscritor ao concordar – por uma taxa, é claro – em comercializar as ações dessa empresa para os investidores finais. Durante esse processo os bancos de investimento assessoram as empresas para que eles definam, entre outras coisas, a quantidade de ações que serão emitidas e o preço pelo qual essas

ações serão emitidas, com base em análises tanto da empresa quanto dos mercados naquele momento. Os bancos de investimento também buscam atrair possíveis investidores para financiar a emissão dessas securities, fazendo com que os emissores não precisem correr os riscos, nem arcar diretamente com os custos para a criação de um mercado para as suas securities. Esses investidores podem incluir seguradoras, empresas de investimento, fundos de pensão, bem como indivíduos como eu e você. Os investidores, por sua vez, têm a oportunidade de adquirir esses ativos a um preço fixado pelos bancos de investimento e pela empresa antes da emissão. Os valores arrecadados na emissão dessas novas ações vão para as empresas que os emitiram, obviamente depois do pagamento dos serviços realizados pelo banco de investimento e outros custos.

Já no caso da emissão de títulos de dívida nos mercados primários, essa nova emissão é normalmente oferecida diretamente por uma empresa ou governo através de leilões de títulos, e é também considerada uma oferta primária no mercado. O processo e os requisitos para que esses títulos sejam emitidos variam muito de acordo com o tipo de produto que estamos falando. As bonds do governo dos Estados Unidos, por exemplo, são isentas de registro com a SEC e são leiloadas diretamente pelo site do Treasury Direct. Já as emissões das Municipal Bonds, ou Munis, apesar de também serem isentas de registro com a SEC, normalmente seguem um processo semelhante aos utilizados para a emissão de securities por empresas.

Enfim, o mercado primário é essencial para que governos e empresas tenham a capacidade de acessar grandes quantidades de capital rapidamente para que consigam atingir seus objetivos e financiar seus projetos.

Mercado Secundário

Já o mercado secundário, é o mercado onde as securities já emitidas anteriormente no mercado primário são negociadas entre os investidores. Após a emissão das securities no mercado primário, os investidores que compraram as compraram do emissor, provavelmente desejarão vendê-las em algum momento, especialmente no caso das ações. O mercado que reúne esses vendedores e os possíveis compradores é chamado de mercado secundário. Os mercados secundários, portanto, fornecem um mercado centralizado onde os agentes econômicos sabem que podem realizar transações de forma rápida e eficiente, permitindo que os seus participantes economizem tempo e dinheiro que seriam gastos caso tivessem que buscar compradores ou vendedores por conta própria.

Vamos voltar ao nosso exemplo da empresa que fez o IPO. Após esse IPO, isto é, após as ações que ela emitiu serem vendidas no mercado primário, esses mesmos investidores iniciais dessas ações podem decidir entre permanecer com elas ou vender essas ações a outros investidores. Essa segunda venda, e todas as outras vendas subsequentes dessas ações, ocorrem no mercado secundário.

O mercado secundário, portanto, não fornece nenhum financiamento para empresas e governos. Ele fornece um mercado para negociação, entre os investidores, de securities que já existem no mercado. O preço desses ativos depende das forças de oferta e demanda e das condições do mercado como um todo. Por esse motivo, o mercado secundário ajuda os participantes do mercado a avaliar o sentimento do investidor quanto ao emissor de um determinado ativo.

Uma das principais características do mercado secundário é que ele fornece liquidez para a negociação de securities. Essa liquidez é especialmente importante para as debt securities que possuem vencimento (maturity) de longo prazo, já que eles permitem aos investidores venderem esses títulos antes

do vencimento e realocarem seus recursos. Caso essa liquidez não existisse, a maioria dos investidores provavelmente decidiria não comprar esses ativos e ter que mantê-los por diversos anos.

A Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e o sistema de Cotação Automatizada da National Association of Securities Dealers (é isso que significa a sigla NASDAQ) são dois exemplos bem conhecidos de mercados secundários para negociação de ações.

Além de ações e títulos, mercados secundários também existem para instrumentos financeiros lastreados por mortgages, câmbio, e derivativos.

Os mercados secundários oferecem diversos benefícios tanto para investidores quanto para empresas emissoras. Para investidores, os mercados secundários oferecem liquidez e a oportunidade de negociar títulos rapidamente, de acordo com o seu valor de mercado. Já os emissores, apesar de não estarem diretamente envolvidos na transferência de fundos ou instrumentos no mercado secundário, tem a possibilidade de obter informações sobre o valor de mercado atual dos títulos que emitiram e, portanto, como o desempenho da empresa está sendo percebido pelos participantes do mercado.

Não Ações Ao contrário dos títulos de capital, os títulos corporativos, municipais e do governo dos EUA não têm bolsas organizadas. Embora alguns títulos corporativos (por exemplo, títulos conversíveis) possam ser comprados e vendidos em certas bolsas de valores, a maioria dos títulos é negociada no mercado OTC por meio de várias redes de corretores para corretores.

E antes de finalizarmos esse artigo, vamos fazer um resumão das características das diferenças entre o mercado primário e o mercado secundário.

No mercado primário, os investidores compram os ativos diretamente do emissor. No mercado secundário, esses ativos que foram introduzidos no mercado primário são agora negociados entre os próprios investidores.

Os preços no mercado primário tendem a ser fixados anteriormente à emissão. Em contraste, os preços do mercado secundário flutuam dependendo, entre outras coisas, da oferta e demanda do ativo em questão.

O valor recebido pela venda de ativos no mercado primário é uma receita para o emissor. No mercado secundário, os investidores negociam os ativos em busca de lucros para eles mesmos.

No mercado primário, normalmente os bancos de investimento desempenham o papel de coordenadores da emissão, atuando como intermediários desse processo. Já no mercado secundário, as corretoras é que atuam como intermediários na compra e venda dos ativos entre os investidores.

No mercado primário, o título pode ser vendido apenas uma vez na emissão. Já no mercado secundário o ativo pode ser vendido infinitas vezes entre os investidores.

Apesar dessas diferenças, os mercados primário e secundário são interdependentes. Enquanto o mercado primário cria e introduz os ativos no mercado, o mercado secundário é a plataforma que garante o valor e a liquidez desses ativos e títulos que foram emitidos.

 

Nos vemos no próximo artigo.

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