O Sistema Financeiro e Suas Funções

Olá Investidor! Olá Investidora!

Nesse artigo nós vamos falar sobre o Sistema Financeiro e suas Funções.

Um sistema financeiro é composto por 2 elementos: pelos mercados financeiros e pelas instituições financeiras. São esses mercados e essas instituições, que facilitam a transferência de ativos financeiros, de ativos reais, e de riscos financeiros entre os agentes econômicos e também através do tempo, do presente para o futuro, e do futuro para o presente, como explicamos no vídeo “Agente Superavitário e Agente Deficitário”.

Essas transferências são feitas através da compra e venda de ativos, ou de contratos financeiros. Os produtos que são mais ativamente negociados no sistema financeiro são as ações, as bonds, os Fundos de Investimento, as moedas, as commodities e diversos tipos de contratos, como os contratos futuros, as opções, e os contratos de seguros.

Um sistema financeiro saudável é fundamental para o crescimento econômico de um país, e para o aumento do bem-estar financeiro da população desse país. De acordo com o CFA Institute (pra deixar claro aqui eu não sou um CFA), para que um sistema financeiro seja considerado saudável ele precisa cumprir 3 funções principais:

1. Permitir que os agentes econômicos atinjam os seus objetivos financeiros;

2. Determinar as taxas de juros mais adequadas à oferta e à demanda por capital;

3. Alocar capital de forma eficiente.

Vamos ver com um pouco mais de detalhes o que significa cada uma dessas funções.

1. Permitir que os agentes econômicos atinjam seus objetivos financeiros

Bom, existem diversos motivos pelos quais os agentes econômicos buscam o sistema financeiro. Talvez os mais conhecidos sejam poupar, investir e pegar dinheiro emprestado. Os agentes superavitários, aqueles que gastam menos do que recebem, possuem recursos excedentes, que eles decidem não gastar agora, para que esses recursos estejam disponíveis para serem utilizados no futuro, como na aposentadoria, no caso de pessoas físicas, ou para adquirir ativos ou expandir seus negócios, no caso de empresas. Eles decidem, então, poupar e investir esse dinheiro excedente.

Já os agentes deficitários, aqueles que gastam mais do que ganham, desejam, ou precisam, transferir dinheiro que só irão ganhar no futuro, para o presente. Eles fazem isso através da aquisição de empréstimos. Eles pegam dinheiro emprestado para financiar seus projetos, como por exemplo comprar um imóvel próprio, ou comprar equipamentos novos para uma empresa, e pagam esses empréstimos ao longo do tempo, com a utilização de fluxos de caixa futuros. Portanto, ao adquirir um empréstimo, o agente deficitário está transferindo dinheiro no tempo só que na direção oposta do agente superavitário, isto é, do futuro para o presente.

Além de poupar, investir, ou pegar dinheiro emprestado, outra razão pela qual os agentes econômicos buscam o sistema financeiro, especialmente no caso das empresas, é levantar capital para financiar o seu

crescimento. Ao emitir ações ou títulos de dívida, isto é, ao se capitalizar, uma empresa também está movendo dinheiro do futuro, para o presente.

Além dessas razões, outro objetivo que os agentes econômicos têm ao utilizarem o sistema financeiro, é o de gerenciar riscos. Todos os agentes que participam do sistema financeiro enfrentam algum tipo de risco, como risco de aumento de preços por causa da inflação, risco de aumento das taxas de juros, risco de fraude, entre tantos outros. O gerenciamento desses riscos normalmente é feito através da utilização de diversos tipos diferentes de contratos, como contratos de opções, contratos de futuros, ou mesmo através de contratos de seguros.

Além disso, a compra e a venda de ativos para entrega imediata é uma outra razão para os agentes econômicos utilizarem o sistema financeiro. Essa negociação de ativos para entrega imediata é chamada de spot market. Os agentes econômicos negociam esses ativos no spot market porque eles estão constantemente buscando alocar o seu capital nos ativos que sejam mais adequados para que eles atinjam os seus objetivos financeiros.

Portanto, para ajudar as pessoas a atingirem esses objetivos financeiros que nós descrevemos, o sistema financeiro deve permitir a criação de produtos de investimento e de gerenciamento de risco que satisfaçam as necessidades dos agentes econômicos, e que ao mesmo tempo sejam fáceis de serem adquiridos, e tenham baixos custos de transação. Além disso, ele deve também ajudar a criar e manter a liquidez para esses produtos nos diversos mercados financeiros, deve disseminar informações de forma precisa e oportuna e deve estabelecer regulações e mecanismos que protejam os credores, caso os devedores não consigam pagar as suas dívidas. Isso porque os agentes superavitários só vão disponibilizar seu capital para os agentes deficitários se eles acreditarem na capacidade dos devedores de pagarem suas dívidas, ou se eles tiverem garantias do sistema financeiro de que conseguirão recuperar os valores emprestados, em caso de não-pagamento. Quanto menos eficiente o sistema financeiro for, maior será o risco desses empréstimos, maiores serão as taxas de juros demandadas pelos agentes superavitários, e mais difícil e cara será essa movimentação de recursos pelo sistema financeiro.

Além disso, mais especificamente no que diz respeito à formação de capital por parte das empresas, o sistema financeiro precisa auxiliar na determinação de preços dos ativos nos mercados primários, e na criação e na manutenção de liquidez para a negociação dessas securities, tanto nos mercados primários como nos secundários.

Bom, com a primeira função do Sistema Financeiro entendida, é hora de vermos agora a segunda função principal do sistema financeiro, que é:

2. Determinar as taxas de juros mais adequadas à oferta e à demanda por capital

Bom, vamos lá. Vamos começar relembrando que o agente superavitário poupa e investe, isto é, envia o seu dinheiro para o futuro, e quer ser recompensado por deixar de gastar dinheiro no presente e por disponibilizar esse dinheiro para o sistema financeiro. A quantidade de dinheiro que os agentes superavitários vão querer poupar e investir para o futuro depende do retorno que eles vão ter ao fazer isso. Quanto mais alto o retorno mais dinheiro eles vão querer poupar e investir.

Já o agente deficitário quer pegar dinheiro emprestado, e utilizar sua renda futura para pagar, com juros, pelo dinheiro que eles trouxeram para o presente. Então, eles querem exatamente o oposto.

Quanto menor o retorno que eles precisam oferecer aos investidores, isto é, quanto menores forem os custos na obtenção desse capital, mais dinheiro emprestado eles vão querer pegar.

Como nenhum dos dois movimentos ocorre sozinho, isto é, você só consegue mandar para o futuro, dinheiro que pode ser trazido de volta para o presente, através de veículos de investimento adequados, o retorno oferecido pelos deficitários para os superavitários tem que agradar os dois lados. Ele tem que ser grande o suficiente para atrair investidores, e pequeno o suficiente para que os deficitários tenham interesse e capacidade de pagar pelos recursos que pegaram emprestado. A taxa de juros que, ao mesmo tempo, é grande o suficiente para agradar os superavitários, e pequena o suficiente para agradar os deficitários, é chamada de taxa de juros de equilíbrio (equilibrium interest rate). Ela é o custo do movimento do dinheiro através do tempo.

A determinação desse custo, isto é, da Taxa de Juros de Equilíbrio, é uma das funções mais importantes do sistema financeiro. A partir da determinação dessa taxa, as taxas de juros específicas para cada produto de investimento podem ser ajustadas, de acordo com as características do produto, como risco, prazo, liquidez, etc. Entendeu?

E para finalizar, a terceira e última função do sistema financeiro é a:

3. Alocação Eficiente de Capital

Então vamos lá. Empresas e governos utilizam os mercados primários de capital para levantar capital para os seus projetos e para a sua expansão. As empresas fazem isso através da emissão tanto de títulos de participação em propriedade, como de títulos de dívida, e os governos somente através da emissão de títulos de dívida.

Para que o Sistema Financeiro aloque capital de forma eficiente, ele precisa alocar o capital que foi disponibilizado pelos agentes superavitários aonde ele vai ser utilizado da forma mais produtiva. Essa alocação eficiente de capital é muito importante, porque o capital disponível é sempre finito, isso é, o cobertor é sempre curto. Não tem como cobrir o corpo todo. Se você cobre a cabeça, você descobre o pé, e vice-versa. É sempre assim, e sempre será. Por esse motivo, nem todos os projetos que precisam de capital para serem implementados, devem, necessariamente, ser financiados. Por causa dessa oferta finita de capital, somente aqueles projetos que são os mais produtivos, que devem ser financiados.

No caso das economias de mercado, essa alocação de capital no sistema financeiro é determinada em grande parte pelos próprios agentes superavitários. Eles podem fazer essa alocação de forma direta ou indireta. Ao comprar títulos do tesouro, por exemplo, o investidor está alocando recursos de forma direta. Já ao colocar dinheiro em um intermediário financeiro, como por exemplo em uma conta de poupança, um poupador está alocando recursos de forma indireta, já que é a instituição financeira que ele está utilizando que vai determinar onde que o dinheiro que ele poupou vai ser alocado.

Uma das principais formas de o sistema financeiro facilitar essa alocação eficiente de capital, é através da disseminação de informações precisas e oportunas. Essas informações permitem aos investidores e aos intermediários financeiros, avaliarem quais são os projetos mais produtivos que estão disponíveis naquele momento, quais são os riscos e qual o retorno que está sendo oferecido por aquela alocação de capital. São essas informações precisas e oportunas que permitem a alocação eficiente de capital por parte dos investidores e dos intermediários financeiros.

Mas é isso. Nesse artigo nós vimos o que é o sistema financeiro e quais são as suas principais funções. Você talvez tenha notado que, ao longo de todo o artigo, as funções do sistema financeiro que foram apresentadas foram sempre descritas como facilitar, apoiar, ajudar, etc. Isso porque, em uma economia capitalista, são as forças de oferta e de demanda e o livre arbítrio das pessoas, que são os maiores impulsionadores do crescimento econômico do país. O papel do sistema financeiro é ajudar, é facilitar, o que muitas vezes é conseguido simplesmente pelo fato de ele não atrapalhar os agentes econômicos. Quanto mais ingerência do governo na economia, principalmente ingerência política, pior. Menos eficiente é o sistema financeiro.

É o que acontece nas economias de planejamento central, como nas economias socialistas, por exemplo. Onde um pequeno grupo de governantes, na maioria dos casos sem nenhum conhecimento de economia, determina como os agentes econômicos devem agir e onde eles devem alocar o capital, através de um planejamento central, que é ditado de cima para baixo. Isso só gera estagnação econômica, e leva a população à pobreza.

Mas enfim. Entendeu o que é o sistema financeiro, e quais são as suas principais funções?

Nos vemos no próximo artigo.

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